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Letras com Sapatos

Não, não é sobre moda. Ou talvez até venha a ser. Divirtam-se :) ou não, não vos posso dizer o que fazer.

Letras com Sapatos

Não, não é sobre moda. Ou talvez até venha a ser. Divirtam-se :) ou não, não vos posso dizer o que fazer.

Quando se ouviam conversas alheias

Catarina, 10.02.21

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Esta será provavelmente a fotografia mais aleatória que por aqui vai parar. Estava a ver fotografias antigas e encontrei essa, um simples café perto do cais do sodre, era dia 20 de Dezembro e estava um dia incrível. Este café foi a coisa mais inocente do mundo, apanhei o comboio na Parede, algum tempo depois parei no Cais e fui encontrar uma amiga que já não via sei lá à quanto tempo porque na altura era isso que nos faltava a todos, tempo.

Ainda que digam que tudo é uma questão de prioridades, acho que há sempre alguém ou algo que sem maldade fica de fora, coisas da vida.

Lembro-me de depois irmos a falar a caminho da Baixa e ela contar-me tudo o que tinha acontecido na vida dela, mas neste momento só me consigo lembrar da confusão que ia em cada canto de Lisboa. Cada pessoa na sua vida, uns sozinhos outros nem tanto, ouvia-se sempre alguém a contar as tragédias e os dramas das vizinhas ou das “zamigas”, havia sempre outro grupo a rir muito alto, haviam pessoas a tirar fotos, já na altura com as manias do instagram e por aí a fora (não julgo, hoje dava muito para ser essas pessoas), havia sempre música! Já na Baixa há um “carro” muito característico, deve ser para aí dos anos 20 e toca sempre fado.  Tinha um senhor muito simpático que outrora lá ia conversando com a malta mais antiga e recordavam os próprios tempos diante da modernice de 2017.

Tenho saudades de saber da vida de quem não conheço.

Tenho saudades do Rossio como sempre o conheci.

Tenho saudades de ver o rosto das pessoas, de perceber as expressões e de observar um dia a dia totalmente banal e corrido ali no centro.

Lembro-me de me ir embora nesse dia e apanhar o comboio já em hora de ponta, portanto, o normal de sermos sardinhas em lata, aqui a menina costumava ter sorte e ia sentada. Nesse dia havia uma mulher em particular que falava muito alto, era um drama do trabalho, sabem aquelas cusquices que todos fazemos. Eu e toda a gente naquela carruagem queríamos mandar a mulher porta fora cada vez que se abria. Fomos desde o Cais até Oeiras a saber as tristezas e desgraças de um trabalho de uma perfeita desconhecida descontente com o trabalho (e provavelmente com a vida) que levava.

Provavelmente eu nunca me iria lembrar assim tão bem destes pormenores se não tivesse as saudades que tenho de Lisboa como sempre a conheci, em dias cinzentos em pessoas apressadas um ambiente caótico mas tão característico. Cheirava a Lisboa e eu tenho saudades de todas as ruas.

 

 

 

 

 

 

 

 

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