Estragados ou perdidos ?
A minha geração perdeu-se. Acho que isso já não é novidade para ninguém mas acho que está a tomar outro tipo de proporções. Estive numa relação duradoura (seja lá o que isso for) e terminou há coisa de dois anos, ora nisto eu fiquei a pensar em todos os gajos com quem já me enrolei e claramente que não lhes vou chamar “homens”, acho que isso é um termo um bocado pesado porque eu sinto que andei a trocar fraldas. Andei como uma mãe a moldar os rapazinhos a vesti-los como deve ser e quase a ensinar como se usam talheres e adivinhem lá o que aconteceu depois disto… 90% estão casados, outros já têm filhos e os restantes vão pelo mesmo caminho , aqueles 10% se não tiveram salvação comigo, lamento informar mas são um caso perdido.
Enquanto estive numa relação agradecia a Deus, tipo assim quase todos os dias, por estar com alguém visto que era uma forma de não ter de aturar aquilo que as minhas amigas solteiras aturavam. Aquele estereótipo de gajos todos descompensados e com mais perguntas sem resposta do que eu quando tenho o período. Entretanto, tanto que abri a boca a dizer que já me tinha safado desse campeonato quando me vi na estaca zero novamente. Isto até teve a sua graça durante os primeiros meses, fora isso a piada ficou perdida no meio do roupeiro; sim, porque mulher quando saía à noite era aquele bicho que tinha de comprar sempre qualquer coisa, ora se o dinheiro já não é usado com um gajo, ao menos é bem usado a comprar sapatos.
O que me assusta aqui não é a quantidade de sapatos que eu continuo a comprar mas sim perceber que o objetivo deles continua o mesmo desde há uns 5 anos para cá, ou seja, ter o maior número de gajas possível e dar o maior desprezo ou as maiores falsas esperanças de que aquilo do vai ou não vai um dia (lá para a semana dos 9 dias) vai resultar.
E se os homens não mudaram, agora falando das mulheres… acho que o sonho da grande maioria não é atualizado desde 1920. A cena do príncipeencantado no cavalo branco já devia ter ficado enterrada, ainda que só apareça o cavalo branco elas ficam tão cegas com aquilo que ai de alguém que se atreva a pôr um David Beckham lá pelo meio.
Isto preocupa-me como já devem ter percebido, não por acreditar no mundo encantado, mas porque dá muito mais trabalho entender que tipo de gajo é que tenho à frente. Mas com o passar do tempo nós atécomeçamos a enxergar de longe se em 2 horas de conversa aquilo foi só e apenas conversa da treta,concluímos que não vale a pena continuar a gastar latim com uma personagem que quando nós damos uma má resposta, ele se pergunta se está de castigo.
O que deixou aqui realmente de acontecer foi o companheirismo, assim como o amor, amizade, paciência e o interesse em resolver qualquer discussãozinha de merda. Tipo o estar constantemente com aquela coisa de “a culpa é tua”, “não a culpa é tua”, “então mas foste tu que começaste”. Concluo portanto que estamos perante a primária e ainda ninguém acabou a licenciatura em calar a boca.
No entanto continuo a acreditar que vai sempre existir alguém… nem que seja na segunda ronda, os divorciados já com filhos e como já não estão para se chatear muito com a coisa acabam por nos dar razão e nós mulheres vamos perdendo os motivos para ripostar.
Gostava de poder dizer que isto vai mudar mas… talvez isso não seja assim tão verdade.






