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Letras com Sapatos

Não, não é sobre moda. Ou talvez até venha a ser. Divirtam-se :) ou não, não vos posso dizer o que fazer.

Letras com Sapatos

Não, não é sobre moda. Ou talvez até venha a ser. Divirtam-se :) ou não, não vos posso dizer o que fazer.

Estragados ou perdidos ?

Catarina, 21.02.21

A minha geração perdeu-se. Acho que isso já não é novidade para ninguém mas acho que está a tomar outro tipo de proporções. Estive numa relação duradoura (seja lá o que isso for) e terminou há coisa de dois anos, ora nisto eu fiquei a pensar em todos os gajos com quem já me enrolei e claramente que não lhes vou chamar homens, acho que isso é um termo um bocado pesado porque eu sinto que andei a trocar fraldas. Andei como uma mãe a moldar os rapazinhos a vesti-los como deve ser e quase a ensinar como se usam talheres e adivinhem lá o que aconteceu depois disto 90% estão casados, outros já têm filhos e os restantes vão pelo mesmo caminho , aqueles 10% se não tiveram salvação comigo, lamento informar mas são um caso perdido.

Enquanto estive numa relação agradecia a Deus, tipo assim quase todos os dias, por estar com alguém visto que era uma forma de não ter de aturar aquilo que as minhas amigas solteiras aturavam. Aquele estereótipo de gajos todos descompensados e com mais perguntas sem resposta do que eu quando tenho o período. Entretanto, tanto que abri a boca a dizer que já me tinha safado desse campeonato quando me vi na estaca zero novamente. Isto até teve a sua graça durante os primeiros meses, fora isso a piada ficou perdida no meio do roupeiro; sim, porque mulher quando saía à noite era aquele bicho que tinha de comprar sempre qualquer coisa, ora se o dinheiro já não é usado com um gajo, ao menos é bem usado a comprar sapatos.

O que me assusta aqui não é a quantidade de sapatos que eu continuo a comprar mas sim perceber que o objetivo deles continua o mesmo desde há uns 5 anos para cá, ou seja, ter o maior número de gajas possível e dar o maior desprezo ou as maiores falsas esperanças de que aquilo do vai ou não vai um dia (lá para a semana dos 9 dias) vai resultar.

E se os homens não mudaram, agora falando das mulheres… acho que o sonho da grande maioria não é atualizado desde 1920. A cena do príncipeencantado no cavalo branco já devia ter ficado enterrada, ainda que só apareça o cavalo branco elas ficam tão cegas com aquilo que ai de alguém que se atreva a pôr um David Beckham lá pelo meio.

Isto preocupa-me como já devem ter percebido, não por acreditar no mundo encantado, mas porque dá muito mais trabalho entender que tipo de gajo é que tenho à frente. Mas com o passar do tempo nós atécomeçamos a enxergar de longe se em 2 horas de conversa aquilo foi só e apenas conversa da treta,concluímos que não vale a pena continuar a gastar latim com uma personagem que quando nós damos uma má resposta, ele se pergunta se está de castigo.

O que deixou aqui realmente de acontecer foi o companheirismo, assim como o amor, amizade, paciência e o interesse em resolver qualquer discussãozinha de merda. Tipo o estar constantemente com aquela coisa de “a culpa é tua”, “não a culpa é tua”, “então mas foste tu que começaste”. Concluo portanto que estamos perante a primária e ainda ninguém acabou a licenciatura em calar a boca.

No entanto continuo a acreditar que vai sempre existir alguém… nem que seja na segunda ronda, os divorciados já com filhos e como já não estão para se chatear muito com a coisa acabam por nos dar razão e nós mulheres vamos perdendo os motivos para ripostar.

Gostava de poder dizer que isto vai mudar mas… talvez isso não seja assim tão verdade.

Dia de S.Valentim, solteira

Catarina, 14.02.21

Acho este dia a coisa mais desrespeitosa para a humanidade solteira, hoje (fora os outros dias) somos postos de parte numa sociedade em que se tem de jantar a dois, ir ao cinema a dois e ir a qualquer Zara deste país na semana anterior arranjar o vestido mais bonito (e barato) para o dito cujo nos levar a jantar fora pela primeira vez no ano. Toquei no assunto das compras, pois é, se alguém achava que tudo isto era por causa do amor desenganem-se meus caros! Consumismo puro, mas em parte nós mulheres agradecemos e um dia muito longe deste sei que vou pertencer ao grupo que aproveita este dia como é suposto. 

Apesar de nunca ter ligado a este dia, nem quando estava acompanha, sinto que as marcas atualmente podiam ter respeito pelos solteiros, não somos dignos de uma campanha publicitária ou de descontos só para nós! Alguém da marca Hussel devia estar a ler isto neste momento e depois podiam agradecer-me mais tarde. 

Muito gostam de escarafunchar o que resta da nossa dignidade! Não preciso que me lembrem que estou solteira, já tinha dado por isso não é, afinal de contas não houveram flores, sushi à luz das velas, vinho, ou chocolates. O ponto alto do meu dia foi terem tocado à minha porta e eu achava que era algo perto de um milagre! Mas não era... "Quem era?" perguntam vocês e bem como se quisessem verdadeiramente saber: era o senhor da ubereats! PARA O MEU VIZINHO DA FRENTE. 

Posto isto, ninguém teve um pior dia de S.Valentim do que o meu... ainda assim, e porque não sobrevivo das desgraças amorosas coletivas, espero do fundo do meu coraçã frio que tenham tido um dia muito feliz. 

 

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O antigo Instagram

Catarina, 13.02.21

Estávamos em 2013 quando tive o primeiro contacto com o instagram. Aquilo no meu meio era uma novidade e eu era ainda mais miúda do que sou hoje! Deixem-me que vos diga, era tão mais giro que o instagram atual, ninguém se preocupava muito com a edição de foto, usávamos os filtros da própria rede social e uma aplicação que se chamava retrica (nem sei se ainda existe). O filtro que menos usávamos era o filtro social, publicávamos simplesmente aquilo que gostávamos! Fosse o que fosse. Não havia o drama dos likes, acontecia tudo de uma forma muito natural e despreocupada, ninguém se preocupava em mostrar um luxo que na verdade nem existia, ninguém se preocupava com os melhores ângulos, ninguém saía de casa só para ir ali a Cascais tirar fotos. 

Claro que podemos dizer que tudo sofre uma evolução, e que isto portanto é a evolução natural da rede social, mas acho que já passou os limites de evolução e parecemos (quase) todos escravos de uma aplicação, do que os outros pensam e dos likes de quem nem conhecemos mais do que o nome de utilizador.

Dei por mim a querer conhecer melhor a realidade do digital, já sigo as maiores criadoras desde 2015 portanto vi aquilo a acontecer da forma que eu acho mais adequada, de forma natural! 

Mas o que dizem os novos entendidos do assunto é que as coisas já não funcionam bem assim, inclusive vi uma “especialista em marketing digital” dizer que fazer conteúdo de lifestyle é uma coisa que não funciona. Bem... cada um com as suas crenças. Não meto em causa o que é ou não verdade!

A minha questão aqui é simples: “porque é que as pessoas não fazem simplesmente aquilo que gostam?”. Produzam-se o quanto quiserem, usem as melhores câmaras e aplicações de edição mas acredito mesmo que embora algumas estratégias de marketing resultem, o conteúdo genuíno é a verdadeira chave para cada um atingir o sucesso que pretende, caso contrário vão ser apenas mais uma conta a fazer aquilo que outras já fizeram na esperança de ter os mesmos resultados. Ninguém quer seguir cópias e é por isto que a autenticidade é tão importante, dentro ou fora das redes.

Atualmente ainda não percebi onde é que me encaixo naquela rede social, nem o que quero fazer ao certo porque a categoria de “instagrammer” não me assenta muito bem e sinceramente também não acho que isso seja um problema.

Da mesma forma que também não sei onde é que me encaixo aqui mas continuo a acreditar que de uma forma natural cada coisa vai ao seu lugar, exatamente da forma que terá de acontecer! Também acredito que os bons acabam por ter reconhecimento mais cedo ou mais tarde e isso dá-me alguma paz.

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Há um pensamento recorrente na vida de todas as solteiras, "sou dona de um circo"

Catarina, 11.02.21

Pelo menos, a dada altura isto acontece. Gostava de vos poder dizer que é normal num tom de “não se preocupem”, e bem... normal é, mas não deveria.

Infelizmente não acho que haja um manual de instruções que nos conte como sair deste ciclo vicioso, mas quando descobrir aviso.

No entanto, há um manual com aquelas frases básicas que todas nós já ouvimos, por exemplo:

 

“És muito querida mas eu não quero uma relação agora” – a personagem principal aka o gajo que nos deixou na merda.

“Acho que mereces melhor” – dita pelas fracas amigas.

“Tava a ver que não o largavas” – dita pelas amigas de verdade.

“És nova, tens tempo” – avós ou pessoas (demasiado) positivas.

“Não era para ser” – aquela amiga que acredita que uma única pinga cai naquele centímetro de chão porque Deus assim o quis.

“Para a próxima acertas” – aquela amiga que sabe que também não será no próximo mas também já não sabe o que dizer.

“Vais ter saudades dessa vida “ – aquela amiga casada com filhos que já não pode com o circo que ela própria criou em casa.

“Não sei para que é que queres alguém” – aquela pessoa que pode a dada altura já ter percebido que vai ficar no grau de tio/a e gostava de não ser a única alma nesse papel.

“Ele nunca te mereceu” – aquele defunto que aparece sem percebermos muito bem de onde.

“Quando ele te falha é que te lembras de mim” – podia ser aquela personagem na nossa vida que nós deixamos sempre que caímos no erro de achar que “vai ser desta”, mas na verdade provavelmente isto é o pensamento do nosso vibrador.

Claro que um dia destes estas frases serão trocadas pelos clichés de “e já vivem juntos? O casório? A casa V6? Os filhos?” mas, daqui até ouvirmos isto alguém ainda tem de vir trocar o disco riscado que está confortavelmente na nossa vida à demasiados anos.

 

No entanto, e a meio de uma pandemia e numa era em que conhecer pessoas está cada vez mais difícil é agora ou nunca que o nosso positivismo está a ser posto à prova.

E sim, bem sei que há muito peixe no mar, mas eu não gosto de um peixe qualquer, tem de ser aquele marisco a ser comido à frente da baia de Cascais, num dia bonito de primavera como manda a lei, sabem aquele primeiro encontro em que nós estivemos horas com cada amiga ao telefone a experimentar roupa diferente e a dizer “ai olha eu acho mesmo que é ele” pronto e no fundo nunca é, elas sabem mas não dizem.

Sim já passei por isso mais vezes do que costumo admitir em público. Posto isto, sou mesmo dona de um circo mas gostava de avisar que nesta altura todas as vagas estão devidamente preenchidas. Tente daqui a 6 meses – 1 ano , ou talvez nunca, isso é que era de valor.  

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Quando se ouviam conversas alheias

Catarina, 10.02.21

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Esta será provavelmente a fotografia mais aleatória que por aqui vai parar. Estava a ver fotografias antigas e encontrei essa, um simples café perto do cais do sodre, era dia 20 de Dezembro e estava um dia incrível. Este café foi a coisa mais inocente do mundo, apanhei o comboio na Parede, algum tempo depois parei no Cais e fui encontrar uma amiga que já não via sei lá à quanto tempo porque na altura era isso que nos faltava a todos, tempo.

Ainda que digam que tudo é uma questão de prioridades, acho que há sempre alguém ou algo que sem maldade fica de fora, coisas da vida.

Lembro-me de depois irmos a falar a caminho da Baixa e ela contar-me tudo o que tinha acontecido na vida dela, mas neste momento só me consigo lembrar da confusão que ia em cada canto de Lisboa. Cada pessoa na sua vida, uns sozinhos outros nem tanto, ouvia-se sempre alguém a contar as tragédias e os dramas das vizinhas ou das “zamigas”, havia sempre outro grupo a rir muito alto, haviam pessoas a tirar fotos, já na altura com as manias do instagram e por aí a fora (não julgo, hoje dava muito para ser essas pessoas), havia sempre música! Já na Baixa há um “carro” muito característico, deve ser para aí dos anos 20 e toca sempre fado.  Tinha um senhor muito simpático que outrora lá ia conversando com a malta mais antiga e recordavam os próprios tempos diante da modernice de 2017.

Tenho saudades de saber da vida de quem não conheço.

Tenho saudades do Rossio como sempre o conheci.

Tenho saudades de ver o rosto das pessoas, de perceber as expressões e de observar um dia a dia totalmente banal e corrido ali no centro.

Lembro-me de me ir embora nesse dia e apanhar o comboio já em hora de ponta, portanto, o normal de sermos sardinhas em lata, aqui a menina costumava ter sorte e ia sentada. Nesse dia havia uma mulher em particular que falava muito alto, era um drama do trabalho, sabem aquelas cusquices que todos fazemos. Eu e toda a gente naquela carruagem queríamos mandar a mulher porta fora cada vez que se abria. Fomos desde o Cais até Oeiras a saber as tristezas e desgraças de um trabalho de uma perfeita desconhecida descontente com o trabalho (e provavelmente com a vida) que levava.

Provavelmente eu nunca me iria lembrar assim tão bem destes pormenores se não tivesse as saudades que tenho de Lisboa como sempre a conheci, em dias cinzentos em pessoas apressadas um ambiente caótico mas tão característico. Cheirava a Lisboa e eu tenho saudades de todas as ruas.

 

 

 

 

 

 

 

 

Por hoje é só isto

Catarina, 09.02.21

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Há dias que são tudo menos produtivos, hoje foi um deles. 

Não perdi a motivação, não troquei horários nem aconteceu nada. Estou, como toda a gente, todos os dias um bocadinho mais cansada desta situação e não gosto mas respeito e é preciso ter a noção que é normal. 

Os dias menos bons também fazem parte, e não há mesmo nada de errado com isso :) 

Bolha consciente

Catarina, 08.02.21

Há uns dias publiquei nos stories do instagram um post com um apelo às denuncias das festas ilegais. Recebi por isso uma mensagem sobre o “ponto em que chegamos sobre fazer apelos às denuncias”. A pessoa em questão não fundamentou minimamente a ideia, e eu despachei ali a conversa.

De todas as conversas que algum dia pensei ter, aquela foi a mais inútil.

Estamos a meio de uma pandemia, Portugal nunca esteve tão mal e há quem tenha teorias sobre a não denuncia das festas.

Do pouco que sei sobre essa pessoa é que faz parte da “team não acredito nada desta merda”. Ok, respeito. É um posicionamento ignorante mas eu respeito; pelo menos não lhe vou passar com um carro por cima e dar ainda mais trabalho (logo este, que é desnecessário) aos hospitais.

O que me deixa em choque não é a pessoa em questão mas sim o tipo de opinião, porque como ele sei infelizmente que há muitos e talvez cada vez mais; uns pela falta de noção e outros porque acham que ao estarem cansados podem simplesmente ignorar o vírus e seguir uma vida como se nada fosse.

Não rogo pragas, não vou dizer que era bem feito que apanhasse, dizer ou desejar esse tipo de coisas não faz de mim mais boa pessoa nem ia fazer dele uma pessoa mais consciente.

Isto para chegar ao ponto em que, no outro dia, andava pelo instagram e ouvi uma rapariga dizer “não podemos ser uma bolha, não podemos fecharmo-nos nas nossas casas fazer de conta que nada se passa lá fora e focarmo-nos na nossa família perfeita”, na altura descordei. Eu vivo numa bolha, numa linda bolha onde não entram informações constantes sobre o que se passa lá fora, durante o primeiro confinamento via as (mesmas) noticias todos os dias e sei o mal que me fez. Ora, logicamente que desta vez não repito a dose.

Então sim, vivo na minha bolha, faço o que me pedem que é tão simples como: mete o rabo no sofá. E não me chateia cumprir ordens/regras/chamem lhe o que quiserem. O que me chateia são as criaturas que não cumprem, que não acreditam e não respeitam. Como é que quase ao fim de um ano no mesmo cenário com todas as mortes que este vírus já causou ainda consigam meter em causa a gravidade do assunto?

Depois disto tenho a dizer que percebi que continuo a viver (orgulhosamente) numa bolha, mas na minha bolha existe espaço para empatia, noção e consciência.

Se somos o resultado de uma porrada de gerações, então falhamos redondamente.

Tenho pena que esses sentimentos não se encontrem em nenhum hipermercado mais perto de quem precisa.